caminho por campos noturnos

1.

 

caminho por campos noturnos,

vagueio entre muros soturnos,

cruzo esquinas de solidão

que sufocam a minha canção.

 

a melodia escapa no descompasso

do meu sorriso escasso:

me acompanham nesta invenção

meus passos e minha canção.

 

me perco em campos escuros,

ruas de imprevisíveis futuros,

me afogo na desunião

entre meus pés e a canção.

 

busco a música que existe

com sua melodia líquida e triste

nas pontas frágeis dos meus dedos,

nos meus lábios amargos de segredos.

 

2.

 

nada tenho

além desta vida

que me resta.

 

não existem caminhos,

somente meus pés

sobre o asfalto.

 

nesta rude viagem

que inicio

rumo ao desencanto

 

não há o que contemplar,

minha incerteza

é meu único guia.

 

fonte, fogo ou rosas,

o que me espera

além da noite?

 

3.

 

piso com meus pés indigentes o enigma

que o universo expõe e sobre o caos me apoio.

piso a manhã desmantelada sobre o asfalto

da cidade ruída.

 

queria percorrer a todo custo a origem

da admirável magia porém apenas me acovardo

e desmorono e tudo o que resta é a dissolução

do enigma que busco.

Meu nome é Sergio Almeida e assino sob o pseudônimo Jardim, nasci no Estado do Rio de Janeiro. Livros de poemas publicados: Filhas do Segundo Sexo, Crônicas do Amor Impossível, Amores Possíveis, Dois, Diários do Desassossego e Faraway. Acredito que poeta não se faz: se nasce. Sou formado em Letras pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Sou poeta, músico e videomaker, entre outras coisas mais ou menos parecidas que formam o leque dos meus ofícios. Sou poeta reincidente e insistente. No Ensino Médio começei a escrever poemas. Estou em dezenas de antologias de poesia. Não vivo sem canções desesperadas de bandas como New Order, The Cure, Joy Division, Echo And The Bunnymen, The Sisters of Mercy e The Jesus and Mary Chain. Participo de saraus e movimentos culturais desde 2008, sou um neurótico social como todo brasileiro de cidade grande. Adoro literatura, gatos e poemas, que se movem na penumbra e nunca se revelam inteiramente. Detesto questionamentos inúteis que só servem para encher o saco e embrutecer a paciência. Gosto de rabiscar minhas emoções e enxertar com pensamentos alheios poesias e afins. O jardim é uma tentativa humana de organizar a natureza, ordenar o desordenado. Meu maior patrimônio são os meus versos, com eles construo meu jardim.

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