Crônica

Saudade daquelas manhãs ensolaradas, da forma bruta como minha tia e sua filha cobravam que eu me arrumasse mais rapidamente para ir à escola, irritadas com minha costumeira morosidade.
Como gostaria de sentir novamente a ansiedade com que esperava pelas aulas da oficina teatral ministrada por Sergio Cumino, Willian Germano e (mais raramente, por Toni D’Agostinho;
Reviveria, sem dúvida alguma, gelados fins de tarde no inverno, quando ouvia o André se queixando do frio na perua.
Enquanto eu me sentia absolutamente confortável naquela temperatura. (Sempre preferi o frio ao calor.)
Acreditem ou não, eu sinto falta até de ter que ir aonde o Judas perdeu as botas pra levar uma menina pra casa e da contrariedade que eu sentia por ter que estudar no período vespertino e perder programas aos quais queria assistir Como A Gata Comeu e Malhação 2001, (sim, eu confesso, já fui noveleiro. Rs.) André e eu usávamos uma locução adjetiva… digamos… contundente pra denotar nossa insatisfação em termos de deixar de estudar de manhã: “À tarde é hora de CORNO estudar!”
Ao final de cada dia, sentia uma nostalgia precoce das coisas que havia acabado de viver.
Há uma estrofe de uma canção interpretada pelas Paquitas que dá conta de descrever meu sentimento melhor do que a infeliz escolha de palavras que faço nesta postagem: “É tempo de brincar, correr, é tempo de fazer de conta, pois logo, a gente vai crescer, do mundo ter que tomar conta.” (Parafraseei a a música porque reanalisando, achei que não transmite a ideia desejada.)
Como se intuitivamente, já soubesse que minha vida nunca mais seria a mesma a partir de 2002.
Será que aos olhos de alguém o ano de 2001 foi tão emblemático quanto para mim?
Juro que não sei se sou sensível ou tolo, cabotino, sentimentaloide por dar importância a coisas teoricamente tão inócuas.
O fato é que como Willian Germano sempre diz, a escolarização compulsória nos transforma.
Não sei se posso dizer que a maneira como ela reordenou as peças desse complexo quebra-cabeças que é a psiqué deste que vos fala foi absolutamente infeliz.
Mas indubitavelmente.nunca mais serei tão leve.
A bênção da ignorância me foi alijada como é, em algum momento de todos os que não são catatônicos.
Sim, me sinto com saudade DE CASA como o status diz.
Uma vez que quando tive de deixar a AACD, presumia que um filho, ao sair da casa dos pais,passava exatamente pelo mesmo misto de emoções paradoxais.
Nem o frescor decorrente de um banho gelado é mais tão revigorante como naquele tempo!

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