Dia Frio

Tudo ao redor em diferentes tons de cinza.
O céu parece que vai desabar também dentro de mim.
Há vazios angustiantes onde o dia se repete.
As vidas estão silenciosas lá fora.
O dia caminha sem os bichos e suas algazarras.
Ar de chumbo nos contamina.
Até a chuva está estranha, parece vestida de acidez já que molha e queima.
Talvez isso justifique a natureza escondida e os silêncios.

Silêncios assustadores estes aqui,

quebrados pelo deslizar dos pneus nas pistas molhadas.

O chão ficou adequado somente aos pés

que não provocam um ruído sequer nas poças que brotam do nada.
As dores ficam camufladas no colorido das coisas e nos sorrisos em disfarce,

mas os olhares seguem apagados, úmidos, frios.
Todos invernando, numa antecipação do tempo.
As primaveras de nossas vidas estão mais breves.

Os verões chegam e vão como as tempestades que eles anunciam.

Só o frio deseja permanência.
Tudo passa, eu sei, mas algumas coisas demoram na despedida. E atormentam.
Tenho saudade dos céus de alguns dias atrás.

Saudade dos dias azuis e dourados, antes de congelarem as almas.

Jullie Veiga

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