ELEGIA EM BRANCO E PRETO

Nina a menina canina.
Feita de serotonina,
De carinho e melanina,
Que lhe dava negras pintas.
Pintava Nina com elas
Felicidade singela.
Mas de repente, na tela,
Foi extinta toda a tinta
De brutal maneira, pinta
Obras duras, ressentidas,
Que tem tons de despedidas
De um vazio excruciante
Traços grosseiros onde antes
Tudo era delicadeza,
O tempo, com seus cruéis
E pragmáticos pincéis
Põe de vez fim à beleza
E a pintura primorosa
Da artista laboriosa
Vira apatia e frieza.

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