Farol da Rua Dezesseis

Farol da Rua Dezesseis

E eu parado na esquina
Observando aquele menino
Como ele sobrevivia?
E qual era seu objetivo na vida?

Na minha mente veio a questão
O que era aquele menino
Em meio àquela multidão
Se ele tinha uma família
Por que o abandou ali então?

Cabelo “pixain”, olhos negros igual a pele
Da onde vinha aquele moleque?
Na mão algumas balas e amendoim
Vendia no farol, para tardar o seu fim.

E eu o olhava, sem maldade no olhar
Mas todo mundo dele se desviava,
Com medo dele roubar.
E se a polícia o via
Era melhor ele dar no pé
Menor, preto, na função daquele jeito
Pode crê que tá de má fé!

E todos os dias que eu ia trabalhar,
Eu o via do mesmo jeito
Batalhando para garantir o sustento.
Condenado desde pequeno a sofrer
Como acreditar se um dia poderá vencer?
Mas isso é só uma hipótese,
Se irá comer amanhã é uma grande incerteza
E com certeza, um dia ele sabe que vem a morte.

E num dia desses, de tanto o observar
Decidi chamar ele para um café tomar
Disse a ele que o achava forte,
Ele me respondeu que sempre foi Deus
E por incrível que pareça, ele tinha um pouco de sorte.

E inúmeras perguntas falei,
E ele, comendo até as bordas do prato.
Perguntei como era sua vida,
O que fazia e como sobrevivia,
Uma vida de adulto num corpo de criança
Em seus olhos via ainda uma pequena esperança.

E nossa conversa durou o dia inteiro
Decidi o levar para minha casa
E ele teve uma noite de sossego.
E com muito aconchego,
Dormiu assistindo uma televisão
Intrigado, se perguntava se quem tava ali sabia a realidade do mundão.

Quando acordava, ele não estava mais presente
Percebi que ele havia levado alguns mantimentos do meu armário,
E eu apressado, partindo para o trabalho.
Mas achei estranho,
Na calçada não o vi deitado,
E nem estava vendendo,
No que será que ele estava se metendo?

Depois de uns dias ele não apareceu mais
Busquei por informações, e ele não voltará jamais
Será que foi algo que eu cometi então?
Talvez ele não estava acostumado com aproximação.
Talvez seria minha culpa ele ter sumido da Rua Dezesseis
Quem sabe eu o encontro numa próxima vez…

Espero que ele esteja bem
Essa sua vida me rendeu essa prosa
Poesia que conta um pouco da sua história
E se um dia o encontrar
Espero escrever sobre sua vitória.

1 Comment

  1. Interessante composição

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