fode-me

fode-me; bem sei a tua história,

há um fragmento dela colado à minha alma,

recebo a tua língua a desenhar sobre minha pele,

recebo teu beijo errante, caído, perdido, vermelho.

 

fode-me; conheço teus segredos

estavam escondidos entre as ondas dos teus cabelos.

minhas mãos envolvem teus peitos,

o suor rega a paixão, estranho sentimento.

 

fode-me; conheço tua nudez, estive dentro dela,

nadei até à exaustão até cair em teus braços,

em tuas águas,  com boca sedenta,

diante do botão de rosa do teu sexo.

 

fode-me; dispo-me para encontrar a tua história,

para encontrar os teus segredos,

para encontrar a tua nudez;

no cheiro a nas cores suaves de tua púbis.

 

fode-me: a tua boca de veludo sobre

a minha boca voraz, fode-me agora,

fode-me antes, antes que o meu corpo

se extinga, antes do meu fim.

 

fode-me, toca-me, respira meu fôlego,

ingere meu ritmo, minha negra amargura.

vive o tempo do meu corpo, da minha fome

por ti, prova o corpo com que te alimento.

 

fode-me,  o tempo conspira sobre nós,

nos emaranhamos em sua teia, a vida passa,

intermitente, escorrendo pelas mãos e estamos

vivos, acomodados, liquefeitos.

Meu nome é Sergio Almeida e assino sob o pseudônimo Jardim, nasci no Estado do Rio de Janeiro. Livros de poemas publicados: Filhas do Segundo Sexo, Crônicas do Amor Impossível, Amores Possíveis, Dois, Diários do Desassossego e Faraway. Acredito que poeta não se faz: se nasce. Sou formado em Letras pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Sou poeta, músico e videomaker, entre outras coisas mais ou menos parecidas que formam o leque dos meus ofícios. Sou poeta reincidente e insistente. No Ensino Médio começei a escrever poemas. Estou em dezenas de antologias de poesia. Não vivo sem canções desesperadas de bandas como New Order, The Cure, Joy Division, Echo And The Bunnymen, The Sisters of Mercy e The Jesus and Mary Chain. Participo de saraus e movimentos culturais desde 2008, sou um neurótico social como todo brasileiro de cidade grande. Adoro literatura, gatos e poemas, que se movem na penumbra e nunca se revelam inteiramente. Detesto questionamentos inúteis que só servem para encher o saco e embrutecer a paciência. Gosto de rabiscar minhas emoções e enxertar com pensamentos alheios poesias e afins. O jardim é uma tentativa humana de organizar a natureza, ordenar o desordenado. Meu maior patrimônio são os meus versos, com eles construo meu jardim.

1 Comment

  1. Intenso e sonoro

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