Atividade

  • Bruno Velasques Rosa publicou uma atualização 1 semana, 1 dia atrás

    A DITADURA DA FOME
    É tempo de expressão séria!
    Que se escondam os sorrisos!
    É proibido sorrir!
    Deve-se apenas sofrer!
    Mas sem lágrima nenhuma!
    São apenas permitidas
    Demonstrações de dor mudas!
    Há que se sangrar calado!
    Hemorragias mortíferas,
    Mas que devem ser veladas.
    Porque ainda que tu grites,
    Ninguém irá escutar-te!
    Mesmo que seus pés se esfolem,
    Mesmo que teus pés gangrenem,
    Não deves parar de andar!
    Há que se fugir da fome!
    É tempo de ditadura!
    A mais severa de todas!
    Aquela que vem do medo
    De ter o prato vazio,
    De ficar na escuridão.
    Seco, o espírito pereça.
    Visto que pode esperar!
    Mas a barriga não pode!
    O estômago urge, tem pressa!
    Cessai toda a poesia!
    Parai de buscar o belo!
    A fome já devorou-o.
    Devorou também a fé!
    Fez darem frutos amargos,
    Flores com aroma análogo
    Ao da carne putrefata!
    Devorou toda a esperança!
    Graças aos teus passos curtos,
    Tu não fugiste da fome!
    Então, não pede socorro!
    Sê apenas devorado!
    Pois quem sabe assim, o mundo
    Fique mais limpo de gente
    Que com sua vã pureza
    Nutriu a tola ilusão
    De fazê-lo diferente.

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