ODE À DEPRESSÃO

As memórias arraigadas
Eram partes do que sou
Mas não me pertencem mais
Bem como tudo que sei
(Ou achava que sabia)
Procuro indícios de mim,
Mas sei que essa busca é vã.
Pois desconheço os caminhos
Que outrora de olhos fechados,
Era capaz de trilhar.
Palavras que eu mesmo disse
Soam hoje indecifráveis
Ao meu parco entendimento
A respeito de mim mesmo.
Me vasculho insanamente,
Em meus versos, meu olhar.
Mas quanto mais me procuro,
Mais a mim sou intangível.
E nesse jogo cruel.
Me revelo um inimigo
Perverso, inescrupuloso
Que tem como único intuito
Minha autodestruição.
A obsessão de me ver
Totalmente aniquilado
Não permite que eu descanse
Até não restar mais nada
De que possa me orgulhar.
Tornando o melhor de mim
Feio, amargo, doloroso.
Fazendo emanar de mim
Uma pesada energia
Que faz repelir pessoas
Eu peço socorro aos outros,
Mas quem pode me salvar
Está mais interessado
Em me empurrar para o abismo.

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