restaram

restaram

estes olhos letárgicos

que não enxergam mais horizontes,

esta casa desmantelada,

estes poemas silenciados,

esta taça trincada,

esta familiaridade com o vazio,

repetitivo,

submisso,

esta escassez de palavras e vozes,

esta beatitude,

este corpo exausto de perseguir o não vivido

e esta alma descrente do eterno.

 

restaram

estas ruas onde caminho trôpego,

este medo de tudo,

esta aptidão em atirar

na lata de lixo

aquilo que já passou.

 

restaram

estas mãos fracas,

paradas e frias e mortas,

estes relógios

feitos de segundas-feiras,

estas pilhas de imposições

acordos, pactos,

esta falta de sono,

esta extrema unção.

Meu nome é Sergio Almeida e assino sob o pseudônimo Jardim, nasci no Estado do Rio de Janeiro. Livros de poemas publicados: Filhas do Segundo Sexo, Crônicas do Amor Impossível, Amores Possíveis, Dois, Diários do Desassossego e Faraway. Acredito que poeta não se faz: se nasce. Sou formado em Letras pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Sou poeta, músico e videomaker, entre outras coisas mais ou menos parecidas que formam o leque dos meus ofícios. Sou poeta reincidente e insistente. No Ensino Médio começei a escrever poemas. Estou em dezenas de antologias de poesia. Não vivo sem canções desesperadas de bandas como New Order, The Cure, Joy Division, Echo And The Bunnymen, The Sisters of Mercy e The Jesus and Mary Chain. Participo de saraus e movimentos culturais desde 2008, sou um neurótico social como todo brasileiro de cidade grande. Adoro literatura, gatos e poemas, que se movem na penumbra e nunca se revelam inteiramente. Detesto questionamentos inúteis que só servem para encher o saco e embrutecer a paciência. Gosto de rabiscar minhas emoções e enxertar com pensamentos alheios poesias e afins. O jardim é uma tentativa humana de organizar a natureza, ordenar o desordenado. Meu maior patrimônio são os meus versos, com eles construo meu jardim.

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