São Paulo

São Paulo,

cafetina das putas da praça da luz,

mortas vivas movidas a cocaína.

ocultas sombrios subterrâneos,

berço das bichas ricas,

algoz inumano das bichas pobres.

teu concreto te fez menos humana.

quem aqui é feliz?

com teus meninos de rua,

vira-latas, meretrizes, mendigos,

haverá luz no fim do túnel?

és pródiga para quem abriga tuas mentiras,

para os que se vendem.

 

São Paulo

dos políticos e da imprensa marrom,

da tua face as lágrimas desembocam no tietê.

Sé, vila Matilde,

Vila Guilherme,

Vila Leopoldina,

Vila Mariana,

a diversidade que emana

das lojas e butiques,

de tua periferia,

com tuas minas, com teus manos,

com tuas avenidas e faróis

sempre em movimento e mudança.

 

São Paulo

espólios e legados centenários

que passam de pai para filho,

de geração em geração,

teus bardos, teus trovadores

teus rappers, teus pichadores,

teu samba tristonho e lento.

aqui tudo é evidente e sombrio,

na tua jornada sinistra na calada da noite

teus filhos se reproduzem e morrem sem viver.

a cidade não para, a cidade não dorme,

és a voz do minotauro

procurando a presa em teus labirintos.

 

São Paulo

terra do café, do engarrafamento,

da tubaína, da caipirinha,

os dentes brancos da fome gargalham

em teus guetos,

cidade que abriga do 1º ao 5º mundo.

São Paulo revisitada:

nunca me deste nada,

tudo me tiraste,

nada sois para que por ti

algo eu sinta

vagando sem rumo

por tuas esquinas de solidão.

Meu nome é Sergio Almeida e assino sob o pseudônimo Jardim, nasci no Estado do Rio de Janeiro. Livros de poemas publicados: Filhas do Segundo Sexo, Crônicas do Amor Impossível, Amores Possíveis, Dois, Diários do Desassossego e Faraway. Acredito que poeta não se faz: se nasce. Sou formado em Letras pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Sou poeta, músico e videomaker, entre outras coisas mais ou menos parecidas que formam o leque dos meus ofícios. Sou poeta reincidente e insistente. No Ensino Médio começei a escrever poemas. Estou em dezenas de antologias de poesia. Não vivo sem canções desesperadas de bandas como New Order, The Cure, Joy Division, Echo And The Bunnymen, The Sisters of Mercy e The Jesus and Mary Chain. Participo de saraus e movimentos culturais desde 2008, sou um neurótico social como todo brasileiro de cidade grande. Adoro literatura, gatos e poemas, que se movem na penumbra e nunca se revelam inteiramente. Detesto questionamentos inúteis que só servem para encher o saco e embrutecer a paciência. Gosto de rabiscar minhas emoções e enxertar com pensamentos alheios poesias e afins. O jardim é uma tentativa humana de organizar a natureza, ordenar o desordenado. Meu maior patrimônio são os meus versos, com eles construo meu jardim.

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