Selvageria

Quero me livrar desta matéria e viver a minha essência profundamente. Ser livre como uma águia sem porto e sem visão do tão imperfeito mundo real.
Viver eternamente a independência de não possuir mais necessidades materiais e usufruir da clandestinidade de tudo à minha volta.
Como não querer estar despercebida? Como não querer ser livre desta imundície? Que é esta capa que carrego. Não quero explicar nada, apenas que o desconhecido é o lugar mais real que existirá para sempre.
Ser suficiente a mim mesma e não precisar de mentiras para sobreviver nesta estranha floresta de mandrágoras, não quero ouvir seus gritos ao serem arrancadas sem pudor por mãos inescrupulosas à sua dor.
Inserida neste contexto de uma sensação de selvageria no mundo de pedras que se diz organizado. Não quero me incluir entre os fantasmas que vagueiam pelos labirintos escorregadios deste mato. Quero ser a sombra que acima espreita a saída e mesmo assim não pode passar esta informação aos mortais, mesmo que seja vital.
Estar bruscamente muitas vezes, inserida na realidade bestial que cada dia compromete mais minha satisfação e leveza. Ser solta das amarras que seguram meu espírito de sair e esperar calmamente o desfecho que acredito.
A podridão que me cerca, me faz cada dia mais solitária, pois vejo que não há saída para esta estadia incerta aqui. Lugar de tristezas constantes, incertezas mil, mentes frágeis e incapazes de controle, seres humanos sem pudor.
Continuar é a certeza que tenho que preciso esperar meus dias contados terminarem. Isto não me traz felicidade, me torna a mais incapaz das criaturas. Não tenho poder sobre meu próprio destino e menos ainda sobre o caminho que quero encontrar à minha frente.
Quero minha antimatéria desvencilhada de toda e qualquer partícula que possa prende-la a algo mais que não seja o infinito.

lufite

1 Comment

  1. Pura intensidade

Leave a Reply

Copy Protected by Chetan's WP-Copyprotect.
Pular para a barra de ferramentas